A fantasia de nudez da ideologia
Escrito por dasilvaorg em Maio 18, 2008
Discursos como o de Crochík sobre a ideologia da racionalidade tecnológica revelam o mundo, mas quem de fato está nú?
@marcdoni disse que esperaria minha opinião sobre o artigo “A ideologia da racionalidade tecnológica“. E aqui está.
É válido buscar na teoria crítica a legitimação para a percepção da nossa “realidade”. Mas a fantasia de nudez da ideologia não é suficiente.
O artigo diz “verdades”. Para quem ?!
O formalismo, presente na ideologia da racionalidade tecnológica, tranforma o desigual em igual, o infeliz em feliz, o oprimido em livre e o injusto em justo, ao negar as condições sociais que geram a infelicidade, a opressão e a injustiça.
Fora da academia, quem quer discutir isto? Quem pode discutir isto? E o mais doloroso, o que se pode fazer contra isto?! Devemos fazer algo?!
A realização efetiva do homem, a possibilidade de viver a vida como um fim em si mesmo, depende de sua retirada do mundo do trabalho alienado.
Esta aceitação é para uns poucos que querem ou conseguem, não sei, enxergar, ter coragem talvez?!
Veja o “trabalho” do blogueiro, que foi meu foco recente. Pensei que falando sobre a morte de blogueiros por conta do #blogstress estaria iniciando uma discussão relevante neste sentido. Mas, as manifestações resumiram-se a: “é, realmente é um problema, mas não tem muita solução” e “foram casos de pessoas com idade e condições propícias ao tipo de acontecimento. Ninguém estranharia se fosse com analistas de sistemas. O problema não está nos blogs. Talvez no #tecnostress” (São paráfrases minhas das palavras de Gustavo J. Reige e Edney.
O que levaria os envolvidos a perceberem e combaterem a maximização sem sentido dessa eficiência do seu “trabalho” ?!
É importante frisar a falsidade inerente à ideologia atual que tem como um dos seus principais traços fixar-se ao existente dificultando a possibilidade de se pensar a transformação social necessária para uma sociedade justa. [...] Como não há possibilidade de transformação, só cabe aperfeiçoar o que existe.
E vá discutir?! Não parece haver opções. O que há é taxado de sonho, utopia. Ah… que inveja de Cyrano. Ele que pode/tenta desviar-se do caminho dos fins.
O mundo gira em falso. O trabalho, do qual já se poderia prescindir, torna-se imprescindível; a tecnologia que deveria libertar, aprisiona….
A teoria crítica já mostrou com o aparato intelectual o óbvio do que muitos sentem na pele mas não domimam o discurso e não tem a autoridade para expressar.
O lugar que cientistas sociais podem ocupar para falar é muito diferente do lugar que uma vítima do mundo do capital ocupa. Ainda que os intelectuais sejam vítimas também. Neste caso, não há como dizer se a consciência agrava ou ameniza a dor.
Como ex-favelado, filho de analfabetos, que chega tardiamente à universidade e aprende a falar sobre o que já vem sentindo por toda a vida, só posso concordar que nossos problemas sociais são questões políticas.Mas, quem quer fazer política? Quem sabe o que é política?!
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