Netnografando

Gestão Social Colaborativa

A fantasia de nudez da ideologia

Escrito por dasilvaorg em Maio 18, 2008

Veja#1982, cover dated November 15 2006, where the headline says Imagem via Wikipedia

Discursos como o de Crochík sobre a ideologia da racionalidade tecnológica revelam o mundo, mas quem de fato está nú?

@marcdoni disse que esperaria minha opinião sobre o artigo A ideologia da racionalidade tecnológica“. E aqui está.

É válido buscar na teoria crítica a legitimação para a percepção da nossa “realidade”. Mas a fantasia de nudez da ideologia não é suficiente.

O artigo diz “verdades”. Para quem ?!

O formalismo, presente na ideologia da racionalidade tecnológica, tranforma o desigual em igual, o infeliz em feliz, o oprimido em livre e o injusto em justo, ao negar as condições sociais que geram a infelicidade, a opressão e a injustiça.

Fora da academia, quem quer discutir isto? Quem pode discutir isto? E o mais doloroso, o que se pode fazer contra isto?! Devemos fazer algo?!

A realização efetiva do homem, a possibilidade de viver a vida como um fim em si mesmo, depende de sua retirada do mundo do trabalho alienado.

Esta aceitação é para uns poucos que querem ou conseguem, não sei, enxergar, ter coragem talvez?!

Veja o “trabalho” do blogueiro, que foi meu foco recente. Pensei que falando sobre a morte de blogueiros por conta do #blogstress estaria iniciando uma discussão relevante neste sentido. Mas, as manifestações resumiram-se a: “é, realmente é um problema, mas não tem muita solução” e “foram casos de pessoas com idade e condições propícias ao tipo de acontecimento. Ninguém estranharia se fosse com analistas de sistemas. O problema não está nos blogs. Talvez no #tecnostress” (São paráfrases minhas das palavras de Gustavo J. Reige e Edney.

O que levaria os envolvidos a perceberem e combaterem a maximização sem sentido dessa eficiência do seu “trabalho” ?!

É importante frisar a falsidade inerente à ideologia atual que tem como um dos seus principais traços fixar-se ao existente dificultando a possibilidade de se pensar a transformação social necessária para uma sociedade justa. [...] Como não há possibilidade de transformação, só cabe aperfeiçoar o que existe.

E vá discutir?! Não parece haver opções. O que há é taxado de sonho, utopia. Ah… que inveja de Cyrano. Ele que pode/tenta desviar-se do caminho dos fins.

O mundo gira em falso. O trabalho, do qual já se poderia prescindir, torna-se imprescindível; a tecnologia que deveria libertar, aprisiona….

A teoria crítica já mostrou com o aparato intelectual o óbvio do que muitos sentem na pele mas não domimam o discurso e não tem a autoridade para expressar.

O lugar que cientistas sociais podem ocupar para falar é muito diferente do lugar que uma vítima do mundo do capital ocupa. Ainda que os intelectuais sejam vítimas também. Neste caso, não há como dizer se a consciência agrava ou ameniza a dor.

Como ex-favelado, filho de analfabetos, que chega tardiamente à universidade e aprende a falar sobre o que já vem sentindo por toda a vida, só posso concordar que nossos problemas sociais são questões políticas.Mas, quem quer fazer política? Quem sabe o que é política?!

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#blogstress é só parte do contexto

Escrito por dasilvaorg em Abril 23, 2008

c. 1868Image via Wikipedia

A idéia hoje era deixar a internet de lado e corrigir uma série de trabalhos que estão pendentes aquí e todo mundo está me cobrando. Esta era a idéia às 10 horas quando começou o meu dia. Agora são 14 e 54, ainda estou na internet e sinto que se não escrever este post estarei deixando de registrar algumas conexões, insights e descobertas talvez importantes.

1. #blogstress é a tag que criei para as discussões no Twitter sobre o assunto do post anterior. Enviei por e-mail para o pessoal da BlogContent. Mas, ao mesmo tempo #blogstress é este estado que estou experimentando agora de sentir o tempo passando, as informações se conectando e a vida…

2. Ontem , na aula da disciplina gestão estratégica para o pessoal de Sistemas de Informação, a discussão descambou para a questão do sentido do trabalho na modernidade. Claro que a motivação foi uma espécie de inércia do post sobre o ritmo dos blogueiros profissionais.

Interessante como imediatamente eu fiz uma conexão entre as tranformações nos modos de produção com a chegada da modernidade, a mudança do sentido pejorativo de trabalho na sociedade ocidental moderna, a hegemonia do sistema fabril enquanto locus do trabalho e o contexto de trabalho do blogueiro pró. Ufa!!!!!, já viu. Falei pra caramba! Mencionei o Livro do Prof. Ariosvaldo Diniz. (A resenha está no final do Post porque não consegui um link de html para ela. Copio de um PDF e dou o crédito/link).

Recentemente o Ian me perguntou se eu acreditava em sinais. Sei lá, mas tem coisas que acontecem e não dá pra pensar em outra coisa. A Deni estudando (Comunicação Social) aqui do meu lado vira pra mim e pergunta: “O que são modos de produção mesmo, heim?”. Natural, já que eu sou da área de Produção, que ela me faça esta pergunta. Interessantemente, o primeiro resultado para “Modos de Produção” no Google Scholar é um artigo do Prof. Bresser Pereira sobre o Assunto. O artigo está direcionado para o que chama de modo técnoburocrático ou estatal de produção. Já tive contato com o trabalho do Prof. Bresser-Pereira em co-autoria com o Prof. Fernando C. Prestes Mota no Livro Introdução às Organizações Burocráticas e por isso, mesmo tendo apenas dado uma rápida olhada no artigo, prefiro linkar para ele inicialmente neste quesito Modos de Produção ao invés de me arriscar a conceituar superficialmente o assunto agora.

Bem, daria para ficar escrevendo mais umas duas ou três horas aqui. Mas não posso. Para este insight fica o objetivo específico inicial, rapidamente pensado, dentro das minhas limitações momentâneas: Caracterizar o blog enquanto um sistema de produção. Acho que Já tem bastante material para isso.

3. Achei a Acheme7. Só sei que foi por um link no Technorati a partir do Google que cheguei lá. É que eles me linkaram. É preciso fazer um post mais tranquilo e ponderado sobre o blog da Acheme7, mas, inicialmente volto à minha aula de ontem para dar base ao que encontro hoje. Ontem eu disse para o pessoal que são décadas conhecimento acumulado na comunicação com o consumidor. Segundo Denise, esta é uma das áreas mais prolíficas da Comunicação Social, que é uma Ciência Social Aplicada como a Administração. Ou seja, o conhecimento na área busca aplicação prática. Logo, não daria para ser diferente. Portanto, enquanto alguns setores da academia, inclusive a Administração, só estão engatinhando em termos de Social Web, o mercado de comunição certamente já está bem avançado. Uma rápida olhada no conteúdo do Blog da Acheme7 indica isso.

Como eu ainda não tinha encontrado vocês antes?!!!

Pergunta não muito difícil de responder, já que são 15:53, até agora ainda não corrigi nada do material que deveria ter corrigido (e é muita coisa viu!!). Tenho que estar na Faculdade às 18:30 e ainda estou aqui escrevendo este post.

E neste exato momento os miolos estão fritando para definir outra tag no Twitter que possa dar subsídios para esta nova discussão, já que #blogstress agora é apenas parte do contexto. Será?!

Bem, são 16 e 39. Terminei de colocar alguns links e adicionar informação que achei importante. Estou colocando a figura com o Zemanta, as tags por minha conta mesmo e… Fecho o post: 16.43. Quer dizer, faltou um link importante. Justamente o do recente post do Juliano Spyer sobre o processo de produção de um Post.

E agora. Voltar a enfrenta o outro lado da força. Sem os trabalhos corrigidos, mas com o post pronto às 16:49. (Sem Revisã)

O texto a seguir, como prometido antes, é cópia do texto publicado no periódico Raízes, disponível em: http://www.ufcg.edu.br/~raizes/artigos/Artigo_119.pdf.

A MALDIÇÃO DO TRABALHO
Autor: Ariosvaldo da Silva Diniz
Este livro tem como tema central o projeto de inclusão/subordinação, for-
jado pela modernidade para inserir o homem pobre na sociedade do tra-
balho. Seu recorte espaço-temporal é o Brasil e, em particular, o Nordeste.
A partir de uma abordagem teórico-metodológica inovadora, investiga as
conseqüências da modernidade na região nordestina, entre os anos 1850-
1930. A modernidade, entretanto, não é tematizada aqui em todas as suas
amplitudes e virtualidades. Prioriza-se um dos seus aspectos mais comple-
xos: as profundas transformações na indústria, na tecnologia e no mundo
do trabalho, com suas amplas repercussões nas relações sociais. Assim, im-
porta para o autor discutir os efeitos da industrialização e urbanização
quando lançaram grandes contingentes humanos em um ambiente que
nada se assemelhava à repetição, à preservação dos costumes, às relações
pessoalizadas, à preponderância dos laços morais.
As questões que este livro levanta e procura responder são: como se deu a
inserção do homem pobre ou ex-escravo na sociedade do trabalho no Nor-
deste? Onde a indústria nascente arregimentou sua mão-de-obra? Como
camponeses, artesãos, vagabundos, mendigos, ladrões foram transformados
em trabalhadores disciplinados? Como se impuseram novos padrões urbanos industriais aos valo-
res tradicionais do agrarismo? Como o homem pobre urbano, no meio deste turbilhão de mudan-
ças trazidas com a modernização, reagiu a esse novo modo de trabalho e existência? Terá sido a
modernidade experimentada por eles como uma ameaça radical a toda a sua história e tradições,
ou representou uma promessa cheia de possibilidades?

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