O volvismo pode ser entendido como uma expressão do modelo sueco de gestão.
O modelo sueco de gestão representou uma terceira via de desenvolvimento econômico e social, situando-se entre o liberalismo e a economia planejada e que pregava a justiça e negociação coletiva entre parceiros sociais, associando melhoria contínua à igualdade e paz social (AKTOUF, 1996).
No começo dos anos 70 uma reformulação empreendida pela Volvo em suas fábricas de Kalmar teria gerado um impacto social em escala mundial, dando início a um movimento de “socialização da cadeia de trabalho”. Posteriormente outras experiências de democratização empresarial e de instauração de uma cultura empresarial de integração e colaboração puderam também ser observados na Suécia.
Para Aktouf (1996) a Suécia construiu com sucesso, com base num misto entre livre mercado, intervenção estatal e regulação das atividades de produção e redistribuição de riquezas, uma forma de cooperação social em que os parceiros distintos (governo, sindicatos, patrões) negociavam e colaboravam no alcance da prosperidade.
Viana (2007) mostra que há um certo consenso na visão de especialistas econômicos ao afirmarem que a Suécia desenvolveu ao longo do século XX uma sociedade igualitária, beneficiada pela herança de uma sociedade que na era pré-industrial possuia como característica a distribuição de renda igualitária e a ausência de uma classe social dominante expressiva.
Em Viana (2007) entende-se também que o “modelo sueco” é visto de diferentes maneiras e que, em uma de suas expressões, pode ser considerado como finalizado no início da década de 1990, quando a Suécia passou a priorizar o combate à inflação ao invés do pleno emprego.
O pleno emprego e o combate à inflação eram consideradas frentes a serem tratadas com mesmo peso e relevância e de forma complementar no modelo sueco. Segundo Viana (2007), até o início dos anos 1990 houve uma acentuada ênfase nas metas de pleno emprego na Suécia, tendo as exportações ocupado um papel especial neste contexto. Mas a crise do petróleo da década de 1970 iniciou um período de políticas econômicas centradas em desvalorização da moeda sueca como tentativa de manutenção do pleno emprego. Este quadro acabou trazendo como efeito colateral o aumento da inflação.
Por fim é importante ressaltar que o emprego público ligado à manutenção do estado de bem-estar ocupou papel central na questão da manutenção do pleno emprego na Suécia. Obviamente esta característica estava na contra-mão da participação nas interações econômicas globais da Sociedade em Rede.
Ou seja, o volvismo, teve um contexto social histórica e culturalmente situado. Depois da crise da década de 1990 não é difícil encontrar notícias de demissões nas fábricas da Volvo, venda de fábrica para empresa estrangeira, e mudanças gerais no panorama de gestão da empresa que nitidamente indicam sua necessária adequação ao paradigma da Sociedade em Rede.
Um bom livro que também traz o tema do volvismo é o Mudança Organizacional.
Imagem: Team Work por Budslife Busy
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Com base nas minhas percepções sobre como as mudanças na Internet afetam as relações de trabalho, logo depois da leitura de um artigo do Prof. Ciro Marcondes filho, tentei aqui lançar uma provocação sobre este atual modelo de interações e produção na Rede (esta coisa que a maioria das pessoas conhece mais como Web 2.0).
Seria como se algumas coisas (que ainda não estão bem claras na minha cabeça para especificar), tivessem migrado da lógica de produção taylorista-fordista, ou seja, divisão do trabalho especializada e planejamento e controle central do trabalho, para uma lógica volvista, ou seja, equipes semi-autônomas e colaboração.
Entretanto, relacionar a produção na Web (ou com a Web) com base em preceitos da produção industrial é algo muito limitado e foi apenas um insight aproveitado para uma provocação.
Só que com isso notei que acho que acabei prestando um desserviço para os paraquedistas que buscam uma compreensão do termo volvismo. Como professor isto me preocupou. Por isso este post de hoje com um norte mais adequado sobre o volvismo para quem chegar por aqui. Ok?!
Referências
AKTOUF, Omar. A Administração entre a tradição e a renovação. São Paulo: Atlas, 1996.
VIANA, Alexandre Guedes. O modelo sueco e o pleno emprego: a crise da década de 1990. São Paulo: PUC, 2007. (Dissertação de mestrado em Economia Política). Disponível em: < <http://www.sapientia.pucsp.br//tde_busca/arquivo.php?codArquivo=4348>. Acesso em 20 set. 2008.
#lucian
dezembro 25, 2009
Feliz seriamos nós se algo de novo fosse revelado em nossa geração. Ironia é o volvismo de volvo (que lembra volver) não se passar apenas de mais uma leitura do passado utilizada para explicar o futuro.
dasilvaorg
dezembro 25, 2009
Pq feliz?
#lucian
dezembro 25, 2009
esse debate é profundo… tem tudo a ver com o pessimismo de shaupenhauer
dasilvaorg
dezembro 25, 2009
Cara,
profundidade talvez seja o problema. Tenho que aprender a lidar com isso.
Simplesmente nunca li nada desse cara aí que vc fala e tô cada vez com mais dificuldade de falar algo sobre algo antes de ter um mínimo de profundidade na coisa.
Abraço
Anderson
março 19, 2012
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk nao sabe quem foi shaupenhauer ? leia um pouco mais , você necessita !
Tamires
junho 24, 2012
o Nome dele era Schopenhauer
quer falar dificil e ainda Fala Errado ? HAHA’
Beijos *: