A Netnografia ou Etnografia Virtual é um método de pesquisa que, por ser derivado da etnografia, traz consigo todo a riqueza, contradições, ideologias e questões paradigmáticas pertinentes às ciências sociais, particularmente à Sociologia e à Antropologia.

Na minha percepção, se nós da Administração (ciência social aplicada) queremos pesquisar “etnograficamente”,  temos que alcançar uma compreensão do arcabouço de discussões e reflexões que vem se desenvolvendo nas ciências sociais em torno do método etnográfico. Porque método, como coloca Pedro Demo, é para ser pesquisado, desenvolvido, criado.

A Etnografia

Em Denzin e Lincoln (2006) vemos que a etnografia se desenvolve em três perspectivas: primeiro a de viver como vivem os “nativos, depois a de viver com o “nativo” e,  finalmente, a perpectiva pós-moderna.

A perspectiva “poś-moderna” seria a compreensão mais atual do “como fazer” etnografia. E isto assusta um pouco. Principalmente porque nos últimos anos estive envolvido com a compreensão do que seria este “pós-moderno”, tendo como referência principal Krishan Kumar. E dá para dizer: É um boi de fogo!!! Rs.

Independende disto, cada uma das perspectivas da etnografia traz consigo um histórico e uma história que requer, no mínimo, reflexão epistemológica e contextualização sócio-cultural. Ou seja, além do descobrir com o método, cabe a agradável tarefa do descobrir do método.

Os padrões de condução do trabalho de campo, de registro das notas de campo e de escrita da teoria,  propagados pelos textos como o de Malinowski,  são ao mesmo tempo vistos como padrões que não mais se mantêm e que ainda são examinados minuciosamente em termos das informações que podem passar aos novatos (DENZIN; LINCOLN, 2006).

E assim, um dos grandes desafios do pesquisador em Administração talvez seja definir e justificar o que compreende como adequado para a sua etnografia. Uma definição que na prática, a menos que tratada de forma simplista e reducionista, pode acontecer apenas ao final da pesquisa.

A Netnografia ou Etnografia Virtual

A netnografia é uma adaptação do método etnográfico proposta por Kozinets para o estudo de culturas e comunidades que surgem a partir da comunicação mediada por computadores. O trabalho de Kozinets é na área de Marketing,  talvez por isso o termo netnografia seja um dos mais visíveis na Administração.

Nas ciências sociais o termo “etnografia virtual” parece ter mais espaço. Williams (2007), por exemplo, utiliza o termo “etnografia virtual” no que denomina “the application of research methodology to the online arena”, concluindo que as novas tecnologias de difusão da informação e a expansão dos ambientes gráficos online requerem métodos de “pesquisa online” adaptados e pertinentes à esta realidade.

A jornada para a compreensão do contexto “Etnografia Virtual”,  ao que tudo indica,  deve começar com Christine Hine, nitidamente a referência central do assunto. Aliás, Montardo e Passerino (2006) trazem em seu trabaho noções da “etnografia virtual (Hine)”, contudo optam pela termo “netnografia. Isto retoma questão do meu primeiro post sobre o método: trata-se da mesma coisa?

Ainda que Daiane (que está lá com Kozinets, já está há 4 anos trabalhando com a netnografia e parece já ter estudado muito mais de antropologia do que eu) diga aqui nos comentários que a diferença está no fato da netnografia oferecer “um passo-a-passo para os pesquisadores interessados em utilizar o método”, tenho minhas dúvidas quanto às adequações paradigmáticas. Para mim superá-las é um dos desafios. (Sou teimoso, não?! Rs. Rs.)

E agora?

Bem, para este post é isso. Uma das aprendizagens que tenho procurado desenvolver aqui é a de tentar não ser simplista ou superficial demais, mas, ao mesmo tempo, não fazer posts kilométricos e cansativos.

Quis evidenciar que netnografia, enquanto método científico, requer compreensão responsável e ampliada. Sob pena de banalização e propagação de mais um simples “modismo” discursivo ou buzzword. Coisa da qual a Administração já está abarrotada.

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Imagem by !anaughty!

Referências

DENZIN, Norman K.; LINCOLN, Yvonna S. O planejamento da pesquisa qualitativa: teorias e abordagens. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.

MONTARDO, Sandra Portela; PASSERINO, Maria Liliana. Estudo dos blogs a partir da netnografia: possibilidades e limitações. Porto Alegre, RENOTE : revista novas tecnologias na educação: UFRGS, Centro Interdisciplinar de Novas Tecnologias na Educação, v. 4, n. 2, 2006. Disponível em: . Acesso em: 05 abr. 2008.

WILLIAMS, Matthew. Avatar watching: participant observation in graphical online environments. Qualitative Research, v.7, n. 1, p. 5-24, 2007.

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  1. A Sandra Montardo esteve na minha banca de qualificação e deverá estar na minha banca final. Ela é um doce e sabe demais! ;)

    []’s,
    Hélio

    Hélio, meu caro.
    Que bacana!

    Pois é a prof. Sandra tá lá na frente. Eu tô só no comecinho. E assim vamos nos completando.
    E aí, como foram as observações sobre o trabalho? Manda o trabalho que você defendeu para eu dar uma olhada.

  1. 1 Ei!! Cadê os blogueiros?! « Netnografando

    [...] Porém no meu “novo” ritmo. Tô com um post quase pronto sobre pós-modernismo e netnografia. Sai já [...]




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